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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

CURIOSIDADES BRASILEIRAS: A ORIGEM DAS PALAVRAS "FULANO" E "SICRANO"




































No dia a dia da língua portuguesa, usamos com naturalidade expressões como “fulano”, “sicrano” e, às vezes, até “beltrano” para nos referirmos a pessoas indefinidas, desconhecidas ou cujo nome não queremos — ou não precisamos — mencionar. Essas palavras parecem tão simples e populares que raramente paramos para pensar: de onde elas vieram? Seriam apenas invenções da língua falada ou possuem raízes mais antigas? A resposta é surpreendente e envolve história, religião, influência árabe e a formação do próprio português.
















A palavra “fulano” tem uma origem bastante antiga e bem documentada. Ela vem do árabe fulān (فلان), um termo usado desde a Antiguidade para designar uma pessoa indeterminada, algo como “tal pessoa”, “alguém”, “certo indivíduo”. Nos textos árabes clássicos, fulān era empregado exatamente da mesma forma que usamos “fulano” hoje: quando o nome real não era conhecido, não importava ou precisava ser omitido.












Com a presença árabe na Península Ibérica — especialmente durante o período do domínio muçulmano em regiões que hoje pertencem à Espanha e a Portugal, entre os séculos VIII e XV — muitos termos do árabe foram incorporados às línguas locais. O português herdou centenas de palavras desse contato cultural, principalmente em áreas como agricultura, ciência, administração e linguagem cotidiana. “Fulano” entrou nesse pacote linguístico e atravessou os séculos praticamente intacto em significado e função.












Já “sicrano”, muitas vezes grafado erroneamente como “siclano”, tem uma origem um pouco mais complexa, mas igualmente fascinante. Assim como “fulano”, ele também deriva do árabe. A raiz está em si fulān ou sukrān (dependendo da corrente etimológica), expressões usadas para indicar “outro indivíduo”, “um segundo alguém”, funcionando como uma continuação ou complemento de fulān. Na prática, o árabe dispunha de diferentes formas para falar de várias pessoas indefinidas numa mesma frase, algo que o português acabou adaptando com criatividade.


























Com o tempo, o português consolidou o uso sequencial dessas palavras: “fulano”, “sicrano” e, em muitos casos, “beltrano”. Essa sequência não é aleatória. Ela reflete uma lógica discursiva antiga, herdada do latim e reforçada pelo contato árabe, em que se enumeram personagens genéricos para contar histórias, dar exemplos ou ilustrar situações hipotéticas.





















Vale destacar que “beltrano”, embora frequentemente citado junto com “fulano” e “sicrano”, não tem origem árabe. Ele vem do latim medieval bellator ou Beltrannus, um nome próprio bastante comum na Europa durante a Idade Média. Com o passar do tempo, esse nome perdeu a função de identificar alguém específico e passou a ser usado apenas como mais um personagem genérico, fechando a famosa tríade popular.













No uso cotidiano, essas palavras cumprem papéis sociais importantes. Dizemos “fulano” quando queremos evitar citar nomes, seja por discrição, ironia ou até crítica velada. Expressões como “não fui com a cara do fulano”, “sicrano disse isso” ou “beltrano fez aquilo” carregam muitas vezes um tom informal, coloquial e até humorístico. Em alguns contextos, também podem soar pejorativas, dependendo da entonação e da intenção de quem fala.












Outro ponto interessante é que essas palavras atravessaram fronteiras linguísticas. O espanhol também utiliza fulano e mengano, o francês tem un tel, o inglês usa so-and-so, e o árabe moderno continua empregando fulān com o mesmo sentido original. Isso mostra como a necessidade de falar sobre pessoas indefinidas é universal, e cada língua encontrou sua própria solução — algumas mais antigas do que imaginamos.











Apesar de “siclano” aparecer ocasionalmente na fala popular, especialmente em algumas regiões do Brasil, a forma considerada correta pela norma culta é “sicrano”. A variação acontece por influência da oralidade, da rapidez da fala e da adaptação fonética natural da língua, fenômenos comuns em qualquer idioma vivo.









Em resumo, “fulano” e “sicrano” são muito mais do que simples palavras informais. Elas carregam séculos de história, revelam o profundo impacto da cultura árabe na formação do português e mostram como a língua evolui sem perder totalmente suas raízes. Da próxima vez que você usar uma dessas expressões, vale lembrar: por trás desse “alguém qualquer” existe uma longa viagem linguística que começou muito antes do português existir como o conhecemos hoje.

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